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quinta-feira, julho 10, 2025

Prémio “Best Portuguese Internet Research da Internet Society 2025”

O Prémio “Best Portuguese Internet Research da Internet Society 2025” é uma iniciativa do Capítulo Português da Internet Society (ISOC.PT) com o objetivo de promover e premiar os melhores resultados da investigação, realizada em Portugal, com relevância e potencial futuro impacto numa evolução da Internet alinhada com os objetivos da Internet Society. Estes objetivos podem ser resumidos da seguinte forma:

  • tornar a Internet acessível em toda a parte e a toda a gente, com controlo descentralizado, interoperável, fiável e confiável;
  • aumentar a segurança dos utilizadores e proteger os direitos dos cidadãos online; e
  • contribuir para combater a vigilância abusiva e desproporcionada, as censuras por motivos políticos ou raciais, a desinformação, os discursos do ódio e a desagregação social. 

Os trabalhos candidatos ao prémio são quaisquer trabalhos já revistos por pares e aceites para publicação a breve prazo, ou já publicados em 2025, que estejam alinhados com os objetivos do prémio. A data final para aceitação de submissões é 20 de Julho de 2025.

O prémio tem o valor de 2.000€ e será entregue aos autores do trabalho vencedor numa sessão pública a realizar, salvo caso de força maior, na instituição onde teve lugar a investigação premiada, ou noutro local acordado com os autores premiados.



UPDATE:

Trabalho premiado



Apreciação do júri


Os dois objetivos estratégicos a longo prazo (2030) da Internet Society são (i) as pessoas, em toda a parte, devem ter acesso a uma Internet fiável, resiliente e a economicamente acessível e (ii) as pessoas, em toda a parte, devem ter uma experiência segura e protegida.

O Prémio “Best Portuguese Internet Research da Internet Society 2025” foi atribuído pela comissão científica ao artigo "The Thin Line Between Conspiracy Theories and Opinion: Why Humans and AI Struggle to Differentiate Them”

O artigo analisa o problema da deteção das “teorias da conspiração” na Internet e compara métodos de deteção por pessoas, ferramentas de classificação e inteligência artificial generativa. O trabalho enquadra-se nos objectivos acima mencionados, nomeadamente no que refere a uma experiência segura e protegida face a desinformação, discursos de ódio e desagregação social.

O artigo foi publicado na revista International Journal of Communication  por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro, do INESC-ID e da Universidade de Lisboa. O artigo está acessível para o público aqui\n

\nO júri destaca a contribuição deste artigo para a proteção da Internet como um espaço de convivência e cidadania, e para a defesa da qualidade da esfera pública enquanto garantia de civilidade e coesão social. O Capítulo Português da ISOC felicita por isso Paula Carvalho, Danielle Kaled e Mário Silva, pelo trabalho realizado.

terça-feira, abril 13, 2021

Campanha pela liberdade de acesso à criptografia forte extremo a extremo

Na sequência das iniciativas que temos vindo a tomar para alertar a opinião pública contra as anunciadas tentativas de impor limites à utilização, pelo público e as empresas, de criptografia forte na Internet, na União Europeia:

  • Os Euro-deputados Portugueses João Ferreira por um lado, e Maria Manuel Leitão Marques, Carlos Zorrinho e Isabel Carvalhais por outro, dirigiram perguntas à Comissão Europeia no sentido de esta esclarecer as suas intenções no que concerne ao uso livre da criptografia na UE.
  • Sete associações resolveram enviar ao Primeiro-Ministro e Presidente em exercício do Conselho da União Europeia, uma carta aberta.

A carta aberta, que a seguir se transcreve, foi também publicada pelo Jornal Público.


À Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia  em 2021

Caro Primeiro-Ministro, António Costa,

Escrevemos-lhe para partilhar as nossas preocupações sobre as consequências que poderão resultar do que parece ser uma nova orientação da União Europeia sobre a utilização da criptografia digital para fins civis, tanto no que respeita aos direitos e garantias dos cidadãos, como no retrocesso dos progressos feitos para uma transição digital, assim como nas suas consequências.

Sob o argumento que importa combater o crime organizado e a ameaça terrorista, o Conselho da União Europeia (CUE), na sua nota de 24.11.2020, assim como a Comissão Europeia (CE), no seu comunicado de 9.12.2020, afirmam a intenção de vir a regulamentar o uso de criptografia nas comunicações digitais com o objectivo de, quando para isso mandatados pela justiça poderem as autoridades policiais “ler” as comunicações cifradas. Ora importa ter presente os seguintes factos quando se considera tal intenção:

  1. As primitivas criptográficas hoje disponíveis não permitem que sejam satisfeitos os objectivos referidos por CUE e CE sem que sejam postas em causa as garantias que os actuais protocolos oferecem.
  2. Sem novas (e improváveis) primitivas criptográficas, a única forma de satisfazer os propósitos expressos por CUE e CE terá que passar pelo enfraquecimento dos sistemas criptográficos existentes. Não é razoável esperar que tal enfraquecimento voluntário da criptografia usada não pudesse ser aproveitado para quebrar a sua utilização, portanto facilitando um outro conjunto de acções criminosas. Isto iria abalar drasticamente a confiança pública na utilização da rede de comunicação digital o que poderia ter consequências dramáticas para uma economia, como a de hoje, fortemente assente nas transacções digitais.
  3. Não chega que existam sistemas criptográficos que tenham tal característica,  é necessário também que os actuais sistemas deixem de ser usados. A única forma de tal se alcançar seria a de proibir o uso de sistemas criptográficos tradicionais, o que afectará somente o cidadão comum, sem beliscar as práticas criminosas.
  4. Qualquer “solução” que passe por alterar o comportamento das peças de software com vista aos mesmos objetivos (a criação de “backdoors”) traduzir-se-á na constituição de ainda maiores vulnerabilidades e ainda piores resultados para a segurança dos sistemas e consequentemente factores para a diminuição da confiança dos utilizadores em meios digitais.
  5. Há actos e contextos que o nosso edifício jurídico não admite que sejam escrutináveis, nem sob mandato judicial. Esta nova ordem criptográfica agora proposta teria, portanto, que classificar os cidadãos entre os que poderiam usar criptografia forte de forma legal e os outros que teriam que cometer um crime para o fazer.

Os subscritores alertam que, a ser prosseguida esta linha de regulamentar de forma canhestra o uso de criptografia, desta resultará:

  • Não se ganhar qualquer eficácia no combate aos crimes que se diz querer evitar pois, como se viu, não é possível impedir a utilização de criptografia alternativa. 
  • A criminalização, em contrapartida, de um grande conjunto de acções até agora tomadas como legítimas e justificáveis.
  • Atentar contra a confiança pública, entretanto construída nas comunicações digitais assim como o seu uso generalizado, pondo em risco o equilíbrio de uma economia digital cuja importância hoje é considerável. 
  • Uma dramática redução das garantias dadas ao cidadão comum acerca do seu direito à privacidade.
  • A promoção duma situação que pode constituir terreno fértil ao desenvolvimento de regimes de forte controlo das populações em detrimento das suas liberdades democráticas. 

Os signatários,

Eduardo Santos, Presidente da Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais

José Rebelo, Presidente da Associação de Estudos Comunicação e Jornalismo (AECJ)

Marcos Marado, Vice-Presidente da Associação Nacional para o Software Livre (ANSOL)

Maria Helena Monteiro, Presidente da Associação Para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (APDSI)

Ana Alves Pereira, Presidente da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação

Jorge Pinto, Presidente da Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação (AP2SI)

José Legatheaux Martins, Presidente do Capítulo Português da Internet Society (ISOC PT)

31/3/2021

segunda-feira, abril 13, 2020

Projecto SOS Digital

A Internet Society Portuguese Chapter (ISOC PT), de que me orgulho fazer parte como activista, tem um conceito interessante de apelar e fomentar uma utilização da Internet de forma universal e democrática.
Lançou agora uma angariação de fundos para apoio a Casas de Acolhimento de Crianças e Jovens em Risco. Mais uma iniciativa de louvar desta associação chamada Projeto SOS Digital, como se pode ver pelo apelo do presidente do ISOC Portugal:



É possível fazer doações em valores monetários via transferência MB, através de transferência bancária e paypal. E ainda através de oferta do seu tempo como voluntário, participando em várias actividades organizadas pelo SOS Digital.